quarta-feira, 2 de março de 2011

Personalidade Martinense - Raimundo Nonato da Silva

Nasceu em Martins/RN, em 18 de agosto de 1907, num dia de segunda-feira, sendo filho do casal  lavrador João Cardoso da Silva e Ana de Lima e Silva. Desde muito cedo  começou  a  trabalhar com os pais na lida do campo. Segundo  seu  depoimento: "A  bem  dizer, não  cheguei  a ter infância, nem conheci a mocidade, pois mal abri os olhos para o mundo, fui logo atirado aos rudes afazeres do campo, no trato da terra, na vida solta, no meio agreste de uma natureza  madrasta; a fome rodava por perto, era raro o dia em que o fogo via a panela".

Em 1919,  aos  12  anos  de  idade,  era tangido pela grande seca que assolava a região, descendo a amada Serra  do  Martins,  percorrendo  o  mesmo caminho de Lampião, até chegar a Mossoró. A "cidade grande" o  deslumbra,  mas  não  tem  tempo  para  brincadeiras.  Inicia sua vida como engraxate, ocupando também outros  subempregos  como  varredor  de hotel, carregador de cadeiras ou qualquer outra ocupação que lhe rendesse  algum  dinheiro.  Não  sabia  ler;  e  foi  com muita dificuldade que iniciou os estudos das primeiras letras  e  noções  gramaticais,  indispensáveis  às  necessidades  educacionais.  Com  a  ajuda  de  Raimundo Reginaldo  da  Rocha  ingressou  na  Escola Normal  de  Mossoró  de  onde  sai u professor primário na sua segunda turma em 1925, já com dezoito anos de idade. Ingressou no magistério  público  como  professor  e diretor de Grupos Escolares em São Miguel, Serra Negra, Apodi e Natal, onde serviu adido à Secretaria de Educação do Estado.

Sua atuação, quando fixando residência em Mossoró, foi das  mais  proveitosas  nos  círculos  educacionais, intelectuais e jornalísticos.  Exerceu  magistério  secundário  na  Escola  Normal,  Colégio  Diocesano  Santa Luzia, no Sagrado Coração de Maria e na Escola  Técnica  de  Comércio União Caixeiral.  Foi colaborador da imprensa local, ora escrevendo artigos,  comentários,  ora  versejando  com  sua  revelação  poética  que somente mais tarde seria descoberta.

Formado em Direito pela Faculdade de Alagoas, ingressou no Ministério Público,  sendo  nomeado  Juiz  de Direito da Comarca de Apodi, em cuja função se aposentou. Em 1962 foi  morar  no  Rio  de  Janeiro,  mas nunca esqueceu a sua terra adotiva. Sempre que podia, voltava a Mossoró para encontrar os amigos e rever a cidade, principalmente nas festas de 30 de setembro, que é a  maior  festa  cívica  de  Mossoró.  Além  de professor, magistrado e jornalista, tornou-se cronista, historiador, escritor e poeta, possuindo uma  bagagem literária que o fez um dos grandes da literatura potiguar.

Quando questionado de como tinha se tornado escritor, respondeu:

" - Desde o tempo de estudante que eu frequentava umas  pequenas  tipografias.  Eu  vivia  lá  por  dentro  e rascunhava umas cronicazinhas e depois uns jornalzinhos de festas, levando pancada e bengalada , porque  a gente bolia com os namoros,  depois  dentro  do  próprio  O  Mossoroense  com  outro  jornalzinho,  depois dentro do Correio do Povo, com jornal mais sério, "O Correio Festivo", com o Américo de Oliveira  Costa, onde nós fomos ameaçados de umas pauladas, por termos bolido com o namoro de alguém e o Américo foi procurar o juiz para garantir. De forma que vem desse tempo o começo. O livro, cronicazinha,  livro  mesmo sério, eu publiquei o meu. Sério é a forma de dizer quando publiquei o "Quarteirão da Fome".

Raimundo Nonato era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, da Academia Norte-rio-grandense de Letras,  Federação  das  Academias  de  Letras  do  Brasil,  Instituto  Genealógico Brasileiro de São Paulo, Associação Brasileira de Escritores, Sindicado dos Advogados do Brasil,  Ordem dos Advogados do  Brasil  no  Rio  de  Janeiro,  Associação  dos  Professores  do  Rio Grande  do  Norte, Associação Brasileira de Imprensa, Sindicado dos Jornalistas Liberais da Guanabara, Sociedade   Brasileira de Folclore de Natal e Instituto Cultural do  Oeste  Potiguar  de  Mossoró.  Deixou  mais  de  oitenta  livros publicados de fundo literário, histórico e biográfico.

Morreu no Rio de Janeiro em 22 de agosto de 1993, quatro dias após seu aniversário de 86 anos de idade. Num  artigo  publicado  em  30  de  setembro  daquele  ano,  intitulado  "Bilhete  a  Nonato",  o  historiador Raimundo Soares de Brito se despede do amigo  dizendo:  "Enquanto  houver  um  30  de  setembro,  você estará aqui conosco marcando presença em espírito  na  memória  dos  seus  amigos  que  são  inumeráveis. Ficará para sempre porque  você  deixou  o  seu  nome  indelevelmente  gravado  nas  pedras  das  ruas  de Mossoró. Nas pedras e nos corações dos habitantes dessa Mossoró que  você  tanto  amou.  Boa  viagem, meu velho companheiro e até o próximo "trintão", se Deus quiser..."

*Geraldo Maia.

Homenagem do Jornal O Mossoroense ao martinense Raimundo Nonato


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